Todos sonhamos encontrar o parceiro ideal, aquele criado sob medida,
especialmente para nós. Como encontrá-lo? Seria melhor que ele fosse bem
parecido comigo ou completamente diferente?
A voz do povo ensina
que “os opostos se atraem”. Também determina, em outro extremo, que
“dois bicudos não se beijam”. Poderia haver alguma verdade nesses
ditados? Qual deles melhor se aplica a uma relação a dois?
Não dá
para concordar com essas afirmações radicais. Os casais que “dão mais
certo” são aqueles que têm maior número de pontos semelhantes entre si.
Mas parece que se fala por aí que no namoro o parceiro deve ser alguém
diferente, oposto, para completar nossa personalidade.
Quando os opostos se atraem
É na paixão e não no amor que os opostos se atraem, pois querem que o outro complete nele aquilo que falta.
Por
exemplo: se sou tímido, fico de fora das reuniões, e gostaria de
pertencer ao grupo, posso pensar que a namorada ideal deveria ser alguém
muito extrovertida, que conseguiria me fazer “sair da toca”. Pelo menos
iria me levar junto às reuniões.
Entretanto, se a timidez é meu
próprio jeito de ser, ao passar por tantas encontros de grupo que não
fazem parte de mim, de meu estilo de personalidade, vou começar a me
irritar com tudo isso e com tanta gente em volta da minha namorada que,
para complicar ainda mais, nem percebem que eu estou ali, pois sou mais
calado.
Da mesma forma, se o tipo extrovertido escolher ficar
comigo para ver se consegue se acalmar, com o passar do tempo ela também
vai se cansar. E assim, aquela característica que nos atraiu um ao
outro num primeiro momento, por ser oposta ao que somos, será exatamente
a característica que vai incomodar e afastar um do outro quando a
agitação da paixão diminuir. E aí não conseguimos entender por que os
opostos se afastaram...
Amizade e Namoro
Fico
tentando entender por que razão usamos critérios diferentes quando
queremos arrumar amigos ou namorados. O fato surpreendente é que muitas
amizades duram mais do que parte dos namoros. Para que sejam nossos
amigos temos a tendência de escolher pessoas que se parecem conosco, que
têm o mesmo gosto, um jeitão parecido. E funciona!
Para namorar,
saímos à procura “daquela pessoa que nos completa”. Nem sempre dá certo,
porque fica faltando alguma coisa. Penso que isso tem a ver com o fato
de não nos aceitarmos como somos. E pensar que o outro é sempre melhor
do que nós.
Você já parou para pensar a esse respeito? Se não
gosta de si mesmo, e se quer namorar alguém que seja o seu oposto, é
sinal de que não está satisfeito com o que você é. Por isso quer no
outro o que você não consegue ser.
Se não posso mudar quem sou, não posso vir a ser o outro.
Você
já viu um tímido tentando ser extrovertido? Fica meio forçado, não é?
Pois bem, se não consigo ser o outro, por mais que tente, a admiração
que tenho por determinada pessoa vai acabar se transformando em inveja,
que afasta um do outro. Daí, o relacionamento chega ao fim “por absoluta
incompatibilidade de gênios”!
Parecido, mas diferente
Agora,
se eu me gosto, se me aceito, tenho prazer em ser quem sou e fazer o
que faço, independente do que os outros querem, vou escolher e aceitar
alguém que se pareça comigo, pois eu me gosto.
Se na amizade
procuramos os semelhantes e dá certo, por que no namoro não agimos
assim? As chances de pessoas com afinidades entre si se relacionarem bem
são muito maiores do que o relacionamento com os opostos.
Bem,
ter afinidade não quer dizer que não possam existir divergências ou
diferenças. Todavia, estas são mais fáceis de resolver, porque o casal
tem na relação muitos pontos comuns, o que facilita a busca de igualdade
e companheirismo.
Mesmo nos casais com maiores afinidades, as
diferenças vão existir, pois cada ser humano é único, distinto um do
outro. Dessa forma, ter afinidade não é ser igual, mas ter determinadas
características em comum.
Diferenças não são defeitos. Elas
existem e servem para nos distinguir. No relacionamento, devem ser
aceitas e acomodadas dentro do limite de cada um. A diferença é
importante para, através dela, se criarem coisas novas e especiais na
relação. Mas para as diferenças serem aceitas, é preciso ter pontos de
apoio comuns à relação.
Por essa razão, a Bíblia é tão sábia ao
dizer que a união de pessoas de “jugo desigual” não seria positiva. Os
parceiros com pontos em comum: interesses, gostos, famílias afins, tipo
de educação, grau de estudo, condição financeira e religião, funcionam
melhor quando juntos.
Comente:
- Qual é a melhor maneira de enxergar estas diferenças, que vão trazer problemas no futuro, durante o namoro?
- Que tipos de diferenças não comprometem uma relação?
- Você acha que entre as semelhanças que devem ser buscadas está a religiosa? É importante o casal, mesmo de namorados, ser da mesma religião? Por que?
- Quando um casal de namorados tem diferenças muito fortes, mas diz que se ama, o que deve fazer?
- Que características deve ter uma pessoa para que o namoro de certo?







